O eleitor de Florianópolis, como em todo o país, indica que a necessidade de mudança é latente. O modelo de democracia representativa e de presidencialismo de coalisão que temos no Brasil está em franca decadência. O crescente número de pessoas que anulam o voto mostra a falta de identificação com os partidos, com os modelos e com as pessoas. As abstenções apontam que o modelo de voto obrigatório não é tão obrigatório assim, pois quase nada afeta a vida de quem opta por abrir mão deste direito, tornando-se quase que facultativo.

Vemos um sentimento de descrença na capacidade da nossa classe política de gerenciar o Estado. E esse sentimento é fortemente nutrido com as denúncias de crimes ligados à corrupção aparecendo em todos os setores e esferas. Somados a isso os modelos consagrados de participação da sociedade nos processos decisórios do poder público, na elaboração de políticas públicas e de marcos regulatórios tomam características de ineficácia. O voto, enfraquecido. A iniciativa popular, burocrática e trabalhosa. As comissões de legislação participativa, pouco conhecidas e pouco eficazes. O plebiscito e o referendo, sem possibilidade de diálogo ou sugestões. As audiências públicas, sem resolutividade. O povo, por vezes, se vê sem opções e, infelizmente, vira de costa ao poder público.

As mudanças vão além ao pleito, passam por uma reforma política, passam por uma revisão do pacto federativo, mas, sobretudo precisamos de uma reflexão como sociedade. Precisamos rever os valores. Precisamos repensar quem queremos que as próximas gerações de brasileiros sejam. Não há corruptos sem corruptores e vice-versa. Obviamente o poder público precisa mudar, contudo, o cidadão (sem generalizar, mas como um conceito) também precisa. Aquele que acusa, reclama e protesta é o mesmo que, utiliza tv a cabo através de “gato”, é aquele que anda pelo acostamento tentado “se dar melhor”, aquele que sonega, que se vangloria em dizer que “o mundo é dos espertos”, que superfatura e que corrompe.

Há a necessidade de um “acordo geral” e um esforço coletivo. Certamente a proposta parece quase utópica. Todavia, com a participação da sociedade no ambiente público de maneira técnica, transparente e formal, fiscalizando, propondo e oferecendo subsídios que legitimem as ações, é o primeiro passo a ser dado.

Serão quatro anos de ajustes e reconstruções, de desafios em que parcerias público-privadas merecerão atenção especial. Compliance e governança serão palavras de ordem. Não serão tempos fáceis. Mas, quando é que este povo aguerrido e varonil teve tempos fáceis? Tenho certeza que estamos seguindo no rumo do amadurecimento democrático e social. Tenhamos fé no Brasil!

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